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Vime

Material

Nome comum da planta

Salgueiro-francês; Vimeiro; Vimeiro-branco; Vimeiro-do-norte; Vimeiro-fêmea; Vimieiro; Vimieiro-francês, Vimeiro-ordinario

Nome científico da planta

Salicaceae - Salix viminalis L. (vimeiro-do-norte, vimeiro-fêmea), Salicaceae - Salix fragilis L. (vimeiro-francês, vimeiro-frágil)

Listagem resumo das espécies de Salix usadas para cestaria em Portugal

Salix alba L. v. alba (Salgueiro-Branco ou sinceiro); Salix alba L. v. vitellina (vimeiro-amarelo); Salix fragilis L. (vimeiro, vimeiro-vermelho, vimeiro-brózio); Salix purpurea L. (vime-vermelho, salgueiro-de-casac-roxa); Salix trianda L. (salgueiro-com-folhas-de-amendoeira); Salix viminalis L. (vimeiro-do-norte, vimeiro-francês, vimeiro-branco, vima, vimeiro-fêmea, salgueiro-francês); Salix x rubra Huds.

Distribuição no território nacional

Noroeste ocidental; Noroeste montanhoso; Nordeste leonês; Terra fria; Centro-norte; Centro-oeste arenoso. No Algarve, encontra-se em Monchique e no Vale do Guadiana. O primeiro tem a característica particular de ser mais claro do que o habitual. Ilha da Madeira e Arquipélago dos Açores.

Vime. Vila do Porto, Açores ©DGARTES/Estúdio Peso/2023

O vime é uma fibra vegetal proveniente do vimeiro ou salgueiro. Estes assumem a forma de árvores ou arbustos, com ramos geralmente flexíveis, que crescem junto à água, nas margens de rios e ribeiras. A terminologia “salgueiro” refere a planta espontânea, o “vimeiro” refere a planta quando é cultivada para produção de cestaria. (Fernandes, 2019). Existem várias espécies de vimeiros ou salgueiros – cerca de 70 identificados na Europa. Em Portugal estão identificadas 12 espécies nativas e 5 espécies exóticas introduzidas no território, para além de diversas variedades híbridas, num total de 57 variedades. 

A identificação das variedades utilizadas em cestaria na península Ibérica** apontam para a ocorrência em território português dos salgueiros espontâneos – Salix triandra L. e Salix purpurea L. – e, de entre os salgueiros cultivados em vimiais ou vimieiros, o mais frequentemente utilizado em cestaria é o Salix fragilis, que produz varas de vime num tom avermelhado escuro. O Salix viminalis L. é também frequentemente cultivado, fornecendo vimes direitos, compridos e muito flexíveis. Os caules da Salix Trianda L. são utilizados descascados ainda frescos (resultando no vime branco) ou após cozedura. O Salix purpurea produz ramos muito delgados, amplamente utilizados em cestaria fina e de trabalho mais complexo.

Como as próprias denominações correntes indicam, esta matéria-prima é utilizada em várias colorações, mas também em diferentes comprimentos e espessuras das varas. 

O vime de cultivo é disposto no vimeiro, em terreno com características de aluvião, em fileiras de cepas de onde brotam as varas utilizadas na cestaria. A irrigação controlada do terreno é fundamental para a produção de varas de vime rijas. O excesso de água pode levar o vimeiro a produzir varas muito brandas. 

A sazonalidade do corte das varas varia em função da área geográfica, entre Novembro e Fevereiro. A apanha anual em Gonçalo, na Guarda, é realizada durante o mês de Fevereiro, num momento em que as varas ainda não têm seiva. No Algarve, em Aljezur, o vime é colhido «durante o mês de Agosto, junto às ribeiras. Tem que ser neste mês, quando a erva está meio seca, “para não ganhar o bicho”» (BRANCO e SIMÃO, 1997).

Os artesãos que plantam o próprio vime, por vezes, dão-lhe formas específicas, por exemplo, uma determinada curvatura que facilita a construção de objetos como cestos ou mobiliário. 

As varas do vime são escolhidas e acondicionadas em baraço enrolado, para serem cozidas em grandes caldeiras, com água a ferver em fogo lento, para ganhar as propriedades de conservação e tornar o material mais fácil de trabalhar. Na etapa seguinte, a secagem é feita de forma natural, ao ar livre.  Neste processo, o vime adquire uma coloração castanha escura. Para que a matéria-prima fique em branco, o vime não deve ser fervido.

  

Bibliografia

  • BRANCO, Conceição; SIMÃO, Jorge. (1997). Modos de Fazer. Guia do artesanato Algarvio. Região de Turismo do Algarve.
  • IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional. (2013). Idades Entrelaçadas. Formas e memórias das artes de trabalhar fibras vegetais.
  • FERNANDES, Manuel Miranda. (2019). Estudo etnobotânico da matéria-prima usada na cestaria de vime em Gonçalo (Guarda). Guarda Ninhos: Guarda.

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