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Exposição

Produção Artesanal Portuguesa: 
A Actualidade do 
saber-fazer ancestral

As artes tradicionais têm percorrido um longo caminho ao longo dos tempos, tendo sido validadas por diferentes gerações e atualizadas várias vezes. No entanto, as suas técnicas e artefactos, profundamente enraizados nos costumes diários e no ambiente doméstico, têm vindo a desaparecer do nosso dia-a-dia. Há, contudo, novos entendimentos do mundo em que vivemos e do impacto da ação humana, que reivindicam o caráter autêntico e holístico destes utensílios, o que desencadeia uma recuperação das suas técnicas de produção, que voltam a ser procuradas, adaptadas ou aprimoradas.

  

As artes e ofícios enfrentam os mesmos desafios que a indústria de massa e o consumidor comum — a digitalização, a inteligência artificial, a crise climática e a economia global. No entanto, a produção artesanal tradicional tem a vantagem de oferecer respostas mais sábias e válidas aos problemas mais urgentes do nosso tempo, graças à sua relação equilibrada com o meio ambiente, à escala humana da sua produção e ao respeito pela cultura. Para compreendermos essa resposta, é importante não ficarmos presos ao ritmo acelerado da inovação artificial das megatendências globais e aprendermos a valorizar o tempo, a beleza natural dos materiais e a eficácia dos processos ancestrais.

  

A produção artesanal tradicional não é uma relíquia do passado, mas sim uma parte vital do presente e do futuro. Os produtos e serviços oferecidos por artesãs, artesãos e pequenas manufaturas são uma resposta culta e sustentável aos principais desafios da nossa época. O seu trabalho é executado com técnicas e tecnologias antigas e fazendo um uso consciente dos recursos disponíveis, pelo que resulta em importantes lições para a contemporaneidade, principalmente na forma como apresentam soluções inteligentes e eficazes para o quotidiano. Preservar matérias-primas e práticas vernaculares e nutrir o fascínio por criar com as próprias mãos, são passos importantes para alcançar algo novo, ao mesmo tempo preservando e melhorando o existente.

  

A participação oficial portuguesa na Bienal De Mains de Maîtres tem como fio condutor a missão que preside ao Programa Nacional Saber Fazer Portugal, colocando em evidência os principais princípios que o norteiam, nomeadamente, o reconhecimento da atualidade e relevância para a sociedade contemporânea da produção artesanal apoiada em conhecimentos ancestrais. Esta relevância pode ser percebida em quatro eixos: o do Sentido quotidiano das suas produções, o do Respeito pela paisagem, o do Valor patrimonial e o da Resiliência económica.

©The Home Project Design Studio/2023

©The Home Project Design Studio/2023

©The Home Project Design Studio/2023

©The Home Project Design Studio/2023

©The Home Project Design Studio/2023

©The Home Project Design Studio/2023

©The Home Project Design Studio/2023

Sentido quotidiano

A produção artesanal tradicional é intrinsecamente criativa e evolutiva. Ela resulta da adaptação e aperfeiçoamento das formas às funções ao longo de gerações de artesãos que de forma anónima as desenvolveram com o seu cunho pessoal e sentido estético próprio. É neste sentido que o conhecimento ancestral não é uma coisa do passado, ele atualiza-se: as criações e produtos que atravessaram gerações, permanecem porque são sabiamente funcionais, inteligíveis e reparáveis. De uma boa adequação entre materiais acessíveis, técnica e utilidade resulta a sofisticação da produção artesanal tradicional; e da simplicidade das formas e dos gestos que as criam sobressai o requinte.

  

Respeito pela paisagem

A produção artesanal tradicional faz bom uso das matérias-primas, muitas delas recolhidas diretamente da natureza, apoiando-se no domínio dos ciclos e processos de cultivo, desta forma respeitando a sustentabilidade dos ecossistemas, porque desta depende a continuidade da existência dos materiais. Do uso responsável de recursos de origem orgânica para a coinfecção destes produtos retiramos benefícios ambientais, quer nos seus processos de produção, quer no uso que deles fazemos, uma vez que no final da sua vida útil são muito menos poluentes, ou até mesmo, no caso de alguns materiais, convertendo-se em matéria compostável. Pretende-se assim expor os benefícios para o ambiente da produção artesanal, quer na sua manufatura, quer nos hábitos de consumo, e ao mesmo tempo dissipar a imagem do tradicional associado aos seus contextos originais de pobreza, recuperando os seus ensinamentos de economia de recursos, de ecologia e de sustentabilidade.

  

Valor cultural

A produção artesanal tem uma relação muito direta com os valores percebidos localmente como parte da identidade cultural de uma região, advindo também deste aspeto o seu potencial de criação de valor social e económico.

Os artesãos que hoje produzem com técnicas e tecnologias antigas estão a fazê-lo com códigos visuais e soluções originais, que enriquecem a vida quotidiana e a tornam menos dependente de estilos, tendências e modelos estéticos uniformes do mercado global, ao mesmo tempo que preservam a memória cultural e artesanal dos territórios. Deste modo constroem uma cultura material contemporânea que reflete não só as características únicas de uma paisagem como também o legado histórico de múltiplas influências que são parte da diversidade cultural do país.

  

Para além destes quatro eixos transversais a todo o setor das Artes e Ofícios tradicionais, pretendemos destacar quatro características presentes em todos os artefactos de matriz ancestral, que surgem aqui exemplificadas através de utensílios concretos que as poderão ilustrar de uma forma mais evidente. O Simbólico, a Inteligência Material, a Minúcia Técnica e o Abrigo são conceitos que se manifestam e se cruzam de forma fluida nos diferentes artefactos, revelando a mestria das artesãs e artesãos na resposta às diversas necessidades das sociedades em cada tempo.

  

O conjunto de artefactos presentes na exposição é assim uma seleção conduzida pela representatividade das características fundamentais inerentes às artes artesanais, pela diversidade de matérias-primas e da sua ligação aos territórios, pela diversidade do trabalho representado e pela abrangência do território nacional, longe da ideia de uma mostra exaustiva ou da valorização individual. Esta seleção reúne apenas artefactos produzidos atualmente, evidenciando o seu carácter contemporâneo. Todas estas peças continuam a ser feitas hoje em dia. A herança coletiva do saber fazer é aqui representada pelos trabalhos destes mestres, que como seus embaixadores convidam o visitante a conhecer melhor a atualidade da cultura material e imaterial portuguesa.

Núcleos

©DGARTES

Espaço Fazer

©DGARTES/Vasco Célio-Stills/2023

O Simbólico

©DGARTES/Vasco Célio-Stills/2023

A Inteligência material

©DGARTES/Vasco Célio-Stills/2023

A Minúcia técnica

©DGARTES/Lino Silva/2023

O Abrigo

A Paisagem

Ficha Técnica

  • Organização
  • Ministério da Cultura
  • Secretaria de Estado da Cultura
  • Direção-Geral das Artes
  • Comissário 
  • Américo Rodrigues, Diretor Geral / Direção-Geral das Artes
  • Curadoria 
  • Ana Botas, Maria João Ferreira / Programa Nacional Saber Fazer Portugal / Direção-Geral das Artes
  • Consultoria 
  • Álbio Nascimento, Kathi Stertzig / The Home Project Design Studio
  • Coordenação de produção 
  • Ana Botas, Maria João Ferreira / Programa Nacional Saber Fazer Portugal / Direção-Geral das Artes
  • Produção executiva
  • Maria Teixeira Simões / New Match
  • Projeto expositivo 
  • Joana Vilhena
  • Design gráfico 
  • Jonas Reker
  • Textos, legendas 
  • Ana Botas / Programa Nacional Saber Fazer Portugal / Direção-Geral das Artes 
  • Álbio Nascimento, Kathi Stertzig, Ana Marta Clemente / The Home Project Design Studio
  • Construção
  • J.C.Sampaio
  • Montagem
  • New Match
  • Ana Botas, Maria João Ferreira / Programa Nacional Saber Fazer Portugal / Direção-Geral das Artes
  • Produção 
  • Andreia Moreira, Catarina Martins, Diana Silva, Irina Matos, Rita Bárbara / Programa Nacional Saber Fazer Portugal / Direção-Geral das Artes
  • Comunicação 
  • Catarina Correia, Maria João Ferreira, Rita Bárbara / Programa Nacional Saber Fazer Portugal / Direção-Geral das Artes
  • Fotografia 
  • João Grama / Estúdio Peso
  • Lino Silva / Brisa d'Aplausos
  • Vasco Célio / Stills
  • Município de Castelo Branco
  • Município de Freixo de Espada à Cinta
  • Filme A VOZ AQUI É O GESTO
  • Jorge Murteira
  • Transportes 
  • Starmuseum
  • Seguros 
  • Hiscox
  • Parceria de Comunicação 
  • RTP – Rádio e Televisão de Portugal
  • Apoio
  • Instituto Camões, I. P.

Agradecimentos

Um agradecimento especial a todos os autores e instituições que gentilmente colaboraram na exposição através do empréstimo de peças, fotografias e material documental. 

Itinerâncias