Em Portugal persistem práticas
artesanais tradicionais que expressam a identidade plural e heterogénea do
território, constituindo uma rede viva de saber-fazer. Este conhecimento
prático está presente em pequenas unidades de produção e oficinas espalhadas
pelo país. Muitas destas atividades são apoiadas por programas e equipamentos
públicos e privados que importa identificar, articular e reforçar, adotando
referenciais de qualidade e boas práticas.
No entanto, sabemos que muitas
destas práticas estão em risco de desaparecer. Por conseguinte, é urgente criar
condições para garantir a sua continuidade, promovendo a transmissão de
conhecimentos, a inovação responsável e o reconhecimento social e económico dos
artesãos e artesãs.
É neste contexto que surge a Rede
Portuguesa Saber Fazer, integrada no Programa Nacional Saber Fazer Portugal,
desenvolvido pela Direção-Geral das Artes e financiado pelo Plano de
Recuperação e Resiliência.
Objetivos
A Rede nasce com um propósito claro: estruturar uma rede de informação, espaços, comunidades e eventos, assente em boas práticas e na cooperação entre agentes e territórios. Pretende-se criar um ecossistema dinâmico e interligado, que ligue oficinas, laboratórios, centros de produção e instituições de ensino em todo o território nacional.
A Rede Portuguesa Saber Fazer tem os seguintes objetivos:
- Identificar, estudar e documentar as práticas artesanais tradicionais no território nacional;
- Estruturar uma rede de informação, de entidades, de espaços, de comunidades e de iniciativas que visem criar boas práticas no setor das artes e ofícios;
- Promover a transmissão intergeracional de saberes;
- Incentivar a partilha de conhecimentos técnicos, artísticos e organizacionais, bem como a investigação e a inovação associadas às artes e ofícios;
- Promover o diálogo e a colaboração entre entidades e territórios com práticas artesanais comuns, derivadas ou complementares;
- Valorizar cultural e economicamente as artes e ofícios tradicionais através do seu cruzamento disciplinar com outras áreas artísticas ou outras áreas do conhecimento;
- Articular a estratégia nacional com as estratégias regionais;
- Valorizar a relação entre as artes e ofícios tradicionais, o território, as paisagens culturais e os recursos naturais locais, designadamente em territórios de baixa densidade, promovendo práticas sustentáveis;
- Promover a cooperação internacional e o intercâmbio de conhecimento com outras culturas artesanais.
A quem se dirige
- Entidades públicas ou privadas (coletivas ou individuais), com sede em Portugal, que desenvolvam atividade no domínio da produção artesanal tradicional;
- Espaços de produção e incubação, individuais ou coletivos, que disponham de oficinas equipadas para a aprendizagem, a investigação e a criação, e que estejam abertos à comunidade.