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Tear

Técnica
Capuchinhas, Castro Daire ©DGARTES/Lino Silva/2022

Existem teares de diversos modelos e dimensões, onde se estende a “urdidura” ou “teia”, e um complexo conjunto de elementos necessários à confecção dos tecidos, mantas ou tapetes. São tradicionais em Portugal o tear de pedal, o tear vertical e o tear de grade. O tear de pedal é o mais comum e pode ser dividido em tear de dois ou de quatro liços. Os teares caracterizam-se pelo número de ramos que têm, como unidade de medida da largura dos tecidos produzidos. Um tear de ramos grande permite manufaturar um tecido até 1,65m de largura. O tear de ramo pequeno permite tecer panos de 50cm, que são cozidos entre eles para compor trabalhos maiores como colchas e mantas.

A “urdidura” ou "teia'' é o conjunto de fios esticados na estrutura do tear. O primeiro momento do trabalho consiste na preparação dos fios na urdideira, onde o fio é estendido, formando duas séries alternadas que permitem o entrecruzamento da trama, para posterior montagem no tear. Urdir é uma das tarefas mais complexas do processo e está reservada às mestras. O fio da urdidura tem que ser resistente. Após o surgimento do algodão no mercado, o fio da urdidura é frequentemente constituído apenas por algodão, ou uma mistura de algodão com ou linho, tornando-o mais forte. A colocação da urdidura ou teia no tear exige um grau de conhecimento elevado.

Os liços são amarrados aos fios da urdidura e são movimentados por pedais que os fazem descer ou subir em função da seleção de fios que se quer tecer, resultando em duas camadas de fios, uma superior e uma inferior. A abertura resultante do movimento dos liços é denominada cala. A dimensão e complexidade de alguns teares exige que os liços sejam manobrados por duas pessoas. As obras mais complexas, com desenhos e padrões, são executadas em teares com vários liços, número que aumenta em função da complexidade do desenho. 

A trama é constituída pelos fios passados entre os fios da urdidura com a ajuda de uma “lançadeira”, uma peça de madeira ou metal que transporta a canela com o fio. A preparação desta fase passa por “encher” a canela, enrolando o fio à volta de um troço vazio, com recurso a um “caneleiro”. 

O pente é outro elemento fundamental do tear, formado por uma régua na qual se fixa uma fila de pequenas hastes verticais em madeira, cana ou metal, por onde passam os fios da teia. Tem a função de apertar cada novo fio da trama, através de batimentos dados entre as passagens da lançadeira, para conseguir o aperto pretendido para o tecido. 

  

Bibliografia

  • IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional. (2009). Fios. Formas e memórias dos tecidos, rendas e bordados
  • LIMA, Rui de Abreu de. (1998). Artesanato tradicional português. IV – Madeira. Lisboa: Edição do Autor.
  • MEDEIROS, Carlos Laranjo; LOPES, Filomena. (2000). Tecelagem Tradicional: Motivos e Padrões. Lisboa: Livros e Leituras. 
  • PERDIGÃO, Teresa; CALVET, Nuno. (2002). Tesouros do Artesanato Português. Volume II – Têxteis. Lisboa | São Paulo: Editorial Verbo.

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