O buxo é uma planta autóctone de
Portugal continental, exótica no arquipélago dos Açores, tendo aí sido
cultivada pelo ser humano, e inexistente no arquipélago da Madeira.
O seu habitat
natural mais favorável são locais frescos e sombrios, como matagais ripícolas
em leitos de cheia e barrancos, preferivelmente em rocha, podendo ser visto à
sombra de grandes árvores de outras espécies.
Atinge um porte intermédio entre
o arbusto e uma árvore de pequeno porte, numa altura máxima até cinco
metros.
Pelas suas características — densa
folhagem, boa recetividade à poda, crescimento lento, folhas pequenas e
persistentes e tolerância ao ensombramento — é uma das espécies de eleição na
topiária, prática de jardinagem que consiste em dar formas ornamentais às
plantas através de técnicas de poda, formando cercas de jardim ou contornos de
caminhos.
Espécie avaliada Em Perigo e
incluída na Lista Vermelha da Flora vascular de Portugal Continental
pelo acentuado desaparecimento que enfrenta no seu habitat natural.
A
construção de barragens hidroelétricas na bacia hidrográfica no rio Douro e a
recente praga da mariposa-do-buxo (Cydalima perspectalis) em Portugal
são as suas principais ameaças.
A resistência da sua madeira faz
com que seja muito apreciada no trabalho no torno, tendo por isso muitas
utilizações em marcenaria, fabrico de colheres de madeira e outros utensílios
de domésticos, bem como na produção de ferramentas manuais (goivas, formões,
teques de olaria), na marchetaria, na escultura, e na construção de elementos
de instrumentos musicais (como flautas, gaitas de fole, embutidos, filetes,
escalas e cravelhas de cordofones). Na região de Miranda do Douro, é
tradicionalmente utilizada em cabos de navalha e nas ponteiras das gaitas de
foles.