O esparto é uma
gramínea perene e espontânea, em forma de tufo, que pode atingir 150 cm de
altura, e que, em Portugal, se desenvolve em locais soalheiros, com solos
pedregosos de origem calcária, encontrando-se na região sul do país, com maior predominância no
Algarve, e também na zona da serra da gardunha.
A apanha do esparto
faz-se nos meses quentes, de julho a setembro, quando este já não se encontra
verde. O esparto deve ser arrancado da terra, não podendo ser cortado. Fazem-se
pequenos molhes, atados com uma folha de esparto e são deixados a secar durante
cerca de duas semanas, com o cuidado de os ir virando, para se obter uma
secagem uniforme. Para um resultado dourado, deixa-se o esparto secar ao sol,
pretendendo uma tonalidade mais verde, deverão ser deixados a secar à sombra.
Pelas suas
características de resistência, durabilidade, flexibilidade, resistência à
humidade e ao peso, era utilizado na produção de objetos utilitários: seiras,
alcofas, esteiras, gorpelhas, baraços, redes e artes de pesca e capachas para
as prensas de azeitona nos lagares. Segundo o artesão Isidoro Ramos: “Quanto mais seco e bravio for o terreno mais
rija é a planta e maior a sua qualidade e resistência” (Martins, 2021).
Atualmente, a arte de entrançar o esparto mantém-se viva no Algarve, mais
propriamente na aldeia de Alte, concelho de Loulé, sudoeste alentejano e
Fundão, onde são produzidas peças de cariz utilitário e decorativo, algumas
delas, com expressões de design contemporâneo.
Bibliografia e Webgrafia:
Martins, Susana Calado, Entrelaçados em Esparto, em Red Book – Lista
Vermelha das Atividades Artesanais Algarvias, Loulé, 2021.
Flora.on [disponível em https://flora-on.pt/?q=Stipa+tenacissima]