O bracejo é uma gramínea perene e espontânea, em forma de
tufo, de grande porte. Adaptada a períodos de seca prolongados e a elevadas
amplitudes térmicas, é dotada de uma boa resistência a pragas e doenças,
permitindo-lhe disseminar-se em diferentes ambientes do território nacional,
com predominância na região das Beiras, Sudoeste alentejano e serra algarvia. A
sua folhagem, bastante fibrosa e fina, apresenta as características ideais para
a sua utilização na produção de peças utilitárias em empreita, maioritariamente
cestaria.
A sua apanha faz-se nos meses de quente, de julho a
setembro, quando a planta já não se encontra verde.
Nos territórios com maior predominância desta espécie,
existe uma forte tradição da sua utilização como matéria-prima para a produção
de utilitários diversos, em que a técnica de a trabalhar varia de região para
região: nas Beiras, o bracejo é tecido com ráfia, formando objetos de uso
doméstico e decorativo, maioritariamente, esteiras, cestaria, vassouras e bases
várias. Na região do sudoeste alentejano, esta espécie também é utilizada na
manufatura de objetos de uso corrente.
No Algarve, em locais soalheiros, com solos pedregosos de
origem calcária, existe uma espécie do mesmo género botânico, que se denomina
esparto (Stipa tenacissima L.) e que
também é utilizada, desde tempos remotos, para a produção de objetos de uso
doméstico e utilitário, como acontece na freguesia de Alte.