Santarém
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Mobiliário de Bunho
A arte do mobiliário de bunho é a técnica habilidosa de construir assentos, bancos e cadeirões, com a suave palha do bunho. Uma atividade presente nas zonas de Santarém e Alcobaça e que teve o seu apogeu entre as décadas de 50 e 80 do século passado. Os assentos feitos inteiramente de bunho são leves, duradouros e muito confortáveis. Sabemos que a aprendizagem era feita em meio familiar, e que em Portugal são feitos os mesmos modelos, da mesma forma pelo menos há três gerações, nas famílias dos últimos artesãos. Mas a origem desses modelos perdeu-se no tempo na passagem de pais para filhos.
Sobre o material Bunho
O bunho é uma espécie de junco gigante, semelhante à espadana ou junco-das-lagoas, também conhecida por erva-de-esteira. Tem potencial ornamental pela sua corpulência, robustez e beleza das suas inflorescências. Contribui para o controle da erosão das zonas ribeirinhas e para a purificação da água.
Cresce em maciços densos, “nas margens e, mais raramente, nos leitos de lagoas, açudes, valas e cursos de água lênticos. Preferentemente em águas doces e permanentes." (Website Flora-On Portugal Continental). Erva vivaz, tem caules redondos, verdes, lisos e sem folhas. Pode atingir 3 metros de altura. Desenvolve-se em ambiente permanentemente inundado, mas também resiste a secas. As flores apresentam-se em conjuntos pouco densos de espiguilhas ovais de coloração vermelho-acastanhada, perto do topo dos caules. A floração acontece entre junho e setembro. A apanha ocorre nos meses de junho, julho e agosto, com a folha ainda verde.
O bunho é ceifado com foices ou gadanhas. Após a ceifa, é espalhado no chão, onde seca ao sol, de ambos os lados, durante alguns dias. É escolhido e preparado em molhos atados com baraços, também feitos de bunho, ficando pronto para ser trabalhado pelo artesão. Durante a secagem não pode apanhar humidade ou chuva. A armazenagem deve ser feita em local bem seco, para que não ganhe bolor, uma vez que demora cerca de seis meses a perder a totalidade da água.
É essencial dominar o processo de secagem e saber reconhecer o ponto certo para que fique nem macio demais (o que dificulta a produção), nem demasiado seco (porque fica quebradiço e fere as mãos durante a produção). Depois de seco, o bunho tem uma degradação biológica natural lenta e as fibras resistem à tração durante vários anos.
Bibliografia
- Águila Alonso, M. G. (2021). “Para una colaboración horizontal entre diseñadores y artesanos mexicanos” in Economía Creativa (14), 222-255.
- IEFP – Instituto do Emprego e Formação Profissional. (2013). Idades Entrelaçadas. Formas e memórias das artes de trabalhar fibras vegetais.
- MURTEIRA, Jorge. (2022). Artisans' Voices #1 – Arménio Varela e a origem do mobiliário de Bunho. Vídeo: https://vimeo.com/721995858
- O Bunho – Uma Homenagem ao Mestre. http://obunho.blogspot.com/ [Consultado em 14 de Novembro de 2022]
- SANTOS, Estrela de Assunção Branco dos. (2015). Os Artefactos em Bunho. Manufaturas Populares na Zona do Bairro Ribatejano. Santarém: Câmara Municipal de Santarém.
- Esteiras de Bunho. Website da Câmara Municipal de Coimbra. https://www.cm-coimbra.pt/areas/visitar/ver-e-fazer/artesanato/esteiras-de-bunho [Consultado em 14 de Novembro de 2022]
- Schoenoplectus lacustris. In Flora-On Portugal Continental. https://flora-on.pt/?q=Schoenoplectus+lacustris [Consultado em 15 de Novembro de 2022]
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