A cortiça é a casca do sobreiro (Quercus suber L.), árvore
também conhecida como sobro ou chaparro, uma das várias espécies de carvalho
que integram a floresta nativa portuguesa.
O sobreiro é uma árvore de folha persistente, crescimento
lento e grande longevidade, podendo viver mais de dois séculos e atingir os
vinte e cinco metros de altura. São necessários cerca de vinte e cinco anos
para se iniciar a extração da cortiça numa árvore, sendo os descortiçamentos
seguintes realizados manualmente, de nove em nove anos, sem prejuízo para a
planta. Anualmente, forma-se uma nova camada de cortiça que se sobrepõe às
anteriores.
Da primeira extração obtém-se a cortiça virgem, de menor
qualidade devido à sua textura dura e irregular, o que lhe confere um valor
económico mais reduzido. Pode ser utilizada na produção de aglomerado negro, um
material sólido e resistente obtido pela sua compactação a altas temperaturas,
cerca de 300ºC. A cortiça secundária, resultante da segunda tiragem ao fim de
nove anos, é mais homogénea do que a virgem, mas ainda não apresenta a
qualidade ideal para a fabricação de rolhas. A cortiça amadia, extraída quando
a árvore tem cerca de quarenta anos, possui as características necessárias para
a produção de rolhas de elevada qualidade. No entanto, apenas cerca de 25% da
cortiça amadia é utilizada para esse fim, sendo o restante reaproveitado para
granulados, tal como acontece com a cortiça virgem e a secundária.
Observada ao microscópio, a cortiça apresenta uma estrutura
semelhante a uma colmeia, com células de forma prismática, predominantemente
pentagonais ou hexagonais. Composta maioritariamente por suberina, inclui também
lenhina, polissacarídeos, taninos e ceroides. As suas propriedades tornam-na
ideal para diversas aplicações, como isolamento térmico e acústico, além de ser
resistente a altas temperaturas e possuir excelentes propriedades de
elasticidade, leveza, impermeabilidade e assepsia. Trata-se de uma matéria-prima extremamente versátil, e
largamente aplicada tanto na indústria vinícola (rolha), como na indústria da
construção civil, tendo-se alargado ao calçado, moda, e outros bens de consumo
quotidiano. Entre as suas utilizações tradicionais incluem-se a fabricação de
cochos, tarros, tropeços e cortiços.
Portugal detém a maior concentração mundial de sobreiros,
especialmente no Sul do país, onde predomina a paisagem agrossilvopastoril
denominada montado. Este ecossistema é de grande importância na prevenção de
incêndios florestais, devido à coexistência de culturas agrícolas e à sua
resiliência ao fogo. Além disso, alberga uma grande diversidade de espécies
animais e desempenha um papel crucial na economia local, através da exploração
da bolota, da cortiça e das pastagens. O país destaca-se como o principal exportador mundial de
cortiça, razão pela qual o sobreiro foi declarado árvore nacional, através da
Resolução da Assembleia da República n.º 15/2012.